Uma coisa que me incomoda no trabalho com inovação: as pessoas que precisam pensar no novo são, em geral, as mesmas enterradas até o pescoço no operacional.
Não é falta de vontade. É que pensar — de verdade, sem demanda urgente em cima — virou artigo de luxo. E quando falta espaço pra isso, a cabeça fica em modo de sobrevivência: entrega o que está pendente, apaga o fogo, descansa quando sobra um segundo. O que não tem prazo vai pro fundo da fila.
Eu convivo com isso. A palavra inovação aparece no discurso, no slide de estratégia, na reunião de liderança. Mas na hora que o trabalho começa, ela compete com tudo que já tem alguém cobrando. E quase sempre perde.
O que mais me pega é que ninguém está de má fé. As pessoas querem melhorar as coisas — só não têm estrutura pra isso. Criar espaço de verdade exige que alguém tome uma decisão que parece irracional no curto prazo: dizer que nessa semana a entrega de rotina pode esperar. Poucas organizações têm coragem pra isso.
Não tenho resposta. Não tive tempo.