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Marcos Ghesla
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Reflexões Musicais: Da Adolescência ao Último Álbum de Bad Bunny

Na adolescência eu tentava ser metaleiro com alguma convicção. Dava mais ou menos. A coleção de camiseta era convincente, o gosto pela guitarra distorcida era genuíno. O problema era a outra metade do meu MP4 chinês.

Enquanto fingia que só ouvia os subgêneros do rock aceitáveis no grupo — e olha que a barra era baixa, nu metal já dava trabalho — eu guardava uma segunda lista que não mostrava pra ninguém. Lá estavam Daddy Yankee, Don Omar, Tego Calderón. Brasil dos anos 2000, os primeiros Velozes e Furiosos no cinema, reggaeton grudado em tudo. Só música boa.

Nunca larguei de vez a música latina depois disso. Fui descobrindo outros caminhos: Orishas, Mercedes Sosa, Santana. Coisas que pegavam pelo ritmo ou pela história. E de uns anos pra cá, Bad Bunny.

O último álbum dele — DTMF — é estranho num sentido bom. Começa com um sample de Un Verano en Nueva York de 1975 e passa por salsa, cumbia, rumba, tudo misturado com batida atual. É um álbum fiel a si mesmo do começo ao fim.

A faixa título ficou famosa por razões que fazem sentido:

“Vamo’ a disfrutar, que nunca se sabe si nos queda poco.”

Simples assim. Funciona porque não está tentando ser mais do que é.

O adolescente que escondia o reggaeton teria gostado de saber que vinte anos depois ia estar ouvindo Bad Bunny de boa, sem precisar esconder de ninguém.


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